Show de Pinturas - Qual o balanço que o senhor(a) faz do ano de 2007 para o setor?
Dilson Ferreira - Foi o melhor ano da década para a indústria de tintas. Nossa previsão de crescimento das vendas para o ano, feita no final de 2006, era de 4,5% em volume. O crescimento foi de 8%, muito superior a essas previsões, graças ao bom desempenho de todos os segmentos da indústria de tintas. Tivemos um forte crescimento da construção civil, vendas recordes na indústria automobilística e ótimo desempenho da indústria como um todo, o que levou as vendas de tintas a aumentar também.
Diversos fatores positivos contribuíram para esse resultado, a começar pelos juros reais abaixo de 10%, a maior oferta de crédito, o alongamento dos prazos de pagamento e o aumento da renda, que contribuem para estimular todos os setores da economia. Ao mesmo tempo, aumentaram os recursos para financiamento de imóveis habitacionais e o governo incentivou a construção civil, que foi a área mais contemplada nos projetos do PAC. Tudo isso já repercutiu e continuará a repercutir na venda de tintas.
Roberto Ferraiuolo - Foi bastante positivo para o setor de tintas e vernizes. Favorecido pelo bom desempenho dos principais indicadores econômicos, pela produção recorde da indústria automobilística e pelo forte aquecimento do mercado imobiliário, o setor registrou um crescimento das vendas da ordem de 6% sobre o ano de 2006. Com esse incremento, que ficou acima das previsões iniciais – de 4,2% – o faturamento do setor deverá chegar ao patamar dos US$ 2,75 bilhões, elevando o consumo de 330 milhões de galões de tintas registrado em 2006 para 350 milhões, ou quase 1,3 bilhão de litros de tintas e vernizes. Mais do que números positivos, e não registrados há muitos anos, o desempenho é animador porque aponta para uma tendência de crescimento sustentado para os próximos anos.
José Roberto de Siqueira - Tivemos um grande crescimento em volume e valor, o maior dos últimos dez anos. Todas as mudanças operacionais, estruturais e estratégicas nos renderam uma maior participação de mercado, uma consolidação de algumas inovações em serviços e processos e, o mais importante, o reconhecimento de nossos consumidores e clientes, que nos agraciaram com suas positivas opiniões, colocando-nos como a empresa de tintas que maior destaque teve em 2007.
Investimos fortemente em nossa já consagrada marca, atuando em vários segmentos de mercado, investindo no crescimento sustentável e sólido para este ano, com transparência e garra para fazer cada vez melhor.
Eugênio Luporini Neto - A Suvinil conseguiu mostrar ao consumidor como é possível inovar, mudar e ousar com a cor, devido à consolidação da estratégia de marketing “Renovar é fácil, é só querer”. A finalidade é oferecer as cores para proporcionar bem-estar e melhor qualidade de vida e apresentar a tinta como um bem de consumo e um objeto de decoração.
Em 2007, a Suvinil cresceu dois dígitos, ou seja, acima do mercado. Além disso, foram investidos R$15 milhões no Complexo Industrial de Tintas e Vernizes, em São Bernardo do Campo, São Paulo, em melhorias tanto nas áreas produtivas quanto nos laboratórios, logística e áreas comuns.
Outro grande destaque do ano passado foi a linha imobiliária da marca Glasurit, que, com o lançamento do novo foco, cores e embalagens já registra um crescimento acima do mercado, seguindo os padrões de qualidade das soluções oferecidas pela BASF.
Cássia Galvão - Ao final, 2007 mostrou-se mais aquecido que as perspectivas do mercado no início do ano, principalmente no segundo semestre. Em decorrência, observamos que o segmento de tintas automotivas também esteve mais ativo, com lançamentos, ações promocionais e busca mais agressiva por novos clientes.
Rogildo Gallo - Certamente foi o melhor ano desta década para o setor de tintas no mercado interno. No cenário macro, vários fatores contribuíram para esse resultado, com destaque para o aquecimento interno e externo da economia, refletindo em maiores volumes de investimentos na construção civil, na melhoria da renda do trabalhador e no maior fluxo de capitais destinados a financiamentos imobiliários.
Setorialmente, ações como o PSQ – Programa Setorial da Qualidade e o Coatings Care continuam a ser importantes ferramentas para maior credibilidade do setor. Também merece destaque a ação destinada à redução da informalidade em nosso setor, vital para a competitividade entre as empresas. Individualmente, mesmo que tenha havido um equilíbrio entre os resultados de muitas empresas, certamente aquelas que estavam melhor preparadas para aproveitar as oportunidades que surgiram no segundo semestre devem ter levado vantagem no que se refere a um maior crescimento, referindo-nos principalmente ao composto de produtos adequados ao mercado, política comercial, equipe técnico-comercial preparada, ações no PDV e comunicação dirigida ao público-alvo. Nesse contexto, acreditamos que a Montana foi uma das que podem se beneficiar dessa alavancagem.
Jaap Kuiper - O ano de 2007 representou um novo marco na indústria automobilística, atingindo um patamar recorde de vendas e isso se reflete no mercado de repintura automotiva. Difícil querer mais do que um crescimento de 27% no setor automobilístico.
Show de Pinturas - Quais as perspectivas para 2008?
Dilson Ferreira - O conjunto de condições favoráveis que permitiu o expressivo crescimento da construção civil em 2007 está mantido, o que nos leva a prever bons resultados também em 2008. Esperamos crescimento de 7% nas vendas de tintas imobiliárias neste ano.
Roberto Ferraiuolo - Certamente, o ano de 2008 deverá ser bastante promissor, pois a área da construção civil, que responde por aproximadamente 65% do consumo de tintas e vernizes, já terá maturado os investimentos feitos em 2007 e muitos imóveis lançados estarão na fase de serem pintados, considerando um prazo médio de construção de oito a 18 meses.
Porém, a continuidade desse cenário como um todo dependerá, além dos esforços empresariais, de medidas político-econômicas que se fazem necessárias, como as reformas tributária, fiscal, política e previdenciária, além do equilíbrio nas taxas cambiais e redução dos juros.
Há preocupações também quanto aos problemas decorrentes da crise econômica americana e suas possíveis conseqüências na economia brasileira. Os preços do petróleo também devem influenciar diretamente os custos de produção e, conseqüentemente, de toda a cadeia produtiva.
José Roberto de Siqueira - Será um bom ano, com ótimas perspectivas, muito similar a 2007. Porém, para nós, da Coral, será um ano em que iremos consolidar, ainda mais e capitalizar tudo o que fizemos de positivo em 2007. Com certeza, já iniciamos 2008 muito bem e vamos continuar confiando na expansão, profissionalização e crescimento da categoria de tintas no Brasil.
Eugênio Luporini Neto - A perspectiva do mercado para 2008 é bastante positiva, assim como em 2007. Neste ano, a Suvinil trará à Feicon (Feira Internacional da Indústria da Construção) grandes novidades, ampliação do marketing experimental e novas tendências de cores, para que a tinta ganhe uma percepção de item decorativo e que a renovação proporcione um novo astral ao ambiente. Durante a feira, também nos aproximaremos dos arquitetos e decoradores e aumentaremos da participação da marca na mídia.
Em 2008 a Suvinil continuará a investir na inovação, característica da marca, garantindo em todas as pontas a satisfação do consumidor. Iniciamos o ano disponibilizando ao mercado os Acrílicos Sem Cheiro e teremos mais novidades por aí. Como em 2007, neste ano a Suvinil pretende novamente crescer dois dígitos, ou seja, acima do mercado. Para o setor, a Abrafati espera um crescimento acima do PIB (7% em 2008).
Cássia Galvão - Prevemos um ano com um crescimento igual ao de 2007.
Rogildo Gallo - Continua bastante otimista, sempre na expectativa de que a turbulência pela qual passa a economia americana possa ser contida aos níveis desejados e que ela não venha a contaminar nosso mercado, permitindo a manutenção dos níveis atuais de investimentos na construção civil. Esperamos que o crédito imobiliário continue forte e que a expectativa largamente difundida ao final do ano passado, de elevar a carteira de empréstimos de 2% para 10% do PIB em até cinco anos, seja concretizada. Acreditamos que todo o setor está empenhado no sentido de manter seus investimentos, quer seja no lançamento de novos produtos como em ações comerciais e de marketing, de forma a garantir resultados tão positivos quanto os do ano anterior.
Sobre todo esse cenário positivo, cabe destacar uma preocupação que certamente é setorial, ou seja, por inúmeras razões apontadas pelos fornecedores está havendo significativo aumento em grande parte dos insumos aplicados à produção, que certamente irá repercutir no reajuste de preços das tintas e vernizes. Da mesma forma, a carga tributária continua sendo o maior entrave ao crescimento exponencial de nosso País.
Jaap Kuiper - O Brasil está menos vulnerável pela “credit crunch” do que outras economias em razão do baixo nível de endividamento do setor imobiliário e da alta participação em commodities no comércio mundial, considerando que essas estão em alta. Se aliado a isso tivermos ainda uma melhora da taxa de investimentos, o cenário se torna mais positivo para o Brasil. O ano de 2008 talvez não seja tão bom como 2007, mas com certeza não será nada ruim. |