Revista Paint & Pintura - Edição 314

O ano de 2025 marcou ummomento histórico para a indústria brasileira de tintas. Dados divulgados pela Abrafati - Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas indicam que o setor ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 2 bilhões de litros comercializados em um único ano, atingindo 2,005 bilhões de litros. O crescimento de 1,2% pode parecer moderado à primeira vista, mas ganha significado maior quando analisado no contexto de juros elevados, incertezas econômicas e volatilidade global. Mais do que um resultado pontual, o desempenho reforça a resiliência de uma cadeia industrial essencial e consolida o Brasil como o quarto maior produtor mundial de tintas. O resultado também confirma a diversidade de aplicações como um dos principais pilares de sustentação do setor. Embora as tintas imobiliárias - responsáveis por cerca de 75% do volume total - tenham apresentado crescimento discreto de 0,4%, outros segmentos tiveram papel decisivo na expansão. As tintas industriais avançaram 3,6%, impulsionadas por investimentos em infraestrutura, novos projetos produtivos e pela força do agronegócio. No segmento automotivo, as tintas originais cresceram 3,5%, acompanhando o ritmo das montadoras, enquanto a repintura automotiva avançou 3,0%, refletindo o dinamismo do mercado de veículos usados. Por trás desses números está uma cadeia química em constante evolução tecnológica. O dióxido de titânio, pigmento essencial para opacidade, cobertura e durabilidade das tintas, permanece no centro das formulações. Mesmo diante de pressões de custo, desafios logísticos e excesso de capacidade global, a indústria tem respondido com inovação, desenvolvendo tratamentos de superfície mais eficientes e soluções que melhoram dispersão, resistência aos raios UV e desempenho das tintas. Outro eixo de transformação está nomercado de emulsões. A tecnologia base água consolidou-se como padrão nas tintas arquitetônicas e avança também em aplicações industriais. A nova geração de emulsões, apoiada em engenharia polimérica mais sofisticada, permite ganhos em aderência, resistência ao intemperismo, durabilidade e menor emissão de compostos orgânicos voláteis, respondendo às crescentes exigências ambientais e de desempenho. As resinas epóxi também seguem estratégicas, sobretudo em aplicações de alto desempenho. Com forte presença em pisos industriais, sistemas anticorrosivos e revestimentos de manutenção pesada, a tecnologia mantém demanda consistente ao oferecer elevada resistência química e mecânica, além de excelente relação custo-benefício ao longo do ciclo de vida do revestimento. Paralelamente aos avanços tecnológicos, o setor vive ummomento importante de reorganização empresarial. A aquisição da Lumen Química pela Dynatech ilustra a tendência de integração de portfólio na cadeia de coatings, reunindo pigmentos e resinas - dois dos principais componentes da formulação de tintas. Ao mesmo tempo, a reestruturação global da Olin Corporation, com o encerramento da produção de epóxi em Guarujá, reflete os desafios competitivos da indústria química internacional. Outras iniciativas reforçam o dinamismo do setor. A parceria entre a Brenntag e a Nanum introduz soluções baseadas em nanomateriais e grafeno no mercado brasileiro, enquanto a colaboração entre a Midland e a Mitsubishi Chemical amplia o acesso a resinas acrílicas avançadas para coatings, tintas e adesivos. Esse conjunto de movimentos revela uma indústria que, mesmo em um ambiente econômico desafiador, continua evoluindo em tecnologia, sustentabilidade e integração de cadeias produtivas. Para 2026, as projeções indicam crescimento moderado, próximo ao ritmo do PIB. Em ummercado maduro, esse avanço gradual pode ser menos espetacular, mas é justamente ele que confirma a solidez e a relevância estratégica da indústria de tintas para a economia brasileira. Lucélia Monfardini EDITORIAL Rua José Tobias dos Santos, 37-A 05121-050, São Paulo, SP, Brasil. Tel +55 11 98339-6642 agneloeditora@agneloeditora.com.br www.agneloeditora.com.br PAINT & PINTURA é uma publicação mensal de AGNELO EDITORA E EVENTOS. Circulação latino-americana. Dirigida às indústrias de tintas, revestimentos, vernizes, impermeabilizantes e tintas gráficas. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores. CONSELHO EDITORIAL Darvin Ferreira da Silva Francisco Rácz Luis Manoel Mota, Marcos Luiz Ziravello Quindici, Maria Cristina Kobal Campos de Carvalho Mateo Lazzarin, Nilo Martire Neto Servaas Engels Washington Yamaga Wiliam Saraiva Revista PAINT & PINTURA N.º 314 - Março 2026 DIRETOR-PRESIDENTE Agnelo de Barros Neto agnelo@agneloeditora.com.br DIRETORA FINANCEIRA Samantha Barros samantha@agneloeditora.com.br EDITOR-CHEFE Marcos Mila marcos@agneloeditora.com.br EDITORA RESPONSÁVEL Lucélia Monfardini (MTb 35.140) lucelia@agneloeditora.com.br GERENTE DE TI Carlos Eduardo Manrubio Cabral eduardo@agneloeditora.com.br EDIÇÃO DE ARTE E DIAGRAMAÇÃO Geraldo de Oliveira geraldo@agneloeditora.com.br EDITOR DE FOTOGRAFIA Yuri Zoubaref yuri@agneloeditora.com.br PUBLICIDADE Érica Brandão Rosana Lima comercial@agneloeditora.com.br CTP E IMPRESSÃO Druck PAINT&PINTURA | Março 2026 | 3 INDÚSTRIA DE TINTAS AVANÇA COM RESILIÊNCIA, INOVAÇÃO E REORGANIZAÇÃO ESTRATÉGICA

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