Revista Paint & Pintura - Edição 314
ARTIGO PAINT&PINTURA | MARÇO 2026 | 55 Por Camilo Alvarado, do marketing de Dispersões, Resinas e Aditivos da BASF A REVOLUÇÃO DA CONSTRUÇÃO: COMO A QUÍMICA ERGUE O FUTURO DOS EDIFÍCIOS MAIS SUSTENTÁVEIS A indústria da construção civil vive um mo- mento decisivo: precisa avançar para um modelo mais sustentável. Esta necessidade temacelerado o crescimento das edificações eficientes, materiais de baixo carbono e processos inovadores. Nos últimos 10 anos, o número de projetos certificados com selos de sustentabilidade cresceu mais de 19%, reforçando que o mercado não apenas acompanha regulamentações, mas busca integrar práticas que conciliemdesempenho e responsabilidade ambiental. Apesar do avanço, o setor ainda enfrenta desafios. Umestudo de 2025 revela umdado interessante: enquanto 50% da população brasileira reconhece o conceito de construção sustentável (acima da média global de 38%), apenas 9% dos profissionais do setor se sentem aptos a aplicar essas práticas. Issomostra uma grande oportunidade para capacitação e treinamento. Os dados são do “Barômetro da Construção Sustentável”, uma pesquisa global realizada pela empresa Saint-Gobain em parceria com a consultoria Occurrence-Ifop. A BASF tambémmergulhou no cenário do setor com o estudo “Tendências e tecnologias de sustentabilidade para omercado da construção civil”. O material que revela caminhos para essa transformação, destaca os desafios e, sobretudo, as soluções já disponíveis para reduzir impactos ambientais e aumentar a eficiência dos processos construtivos. Alinhado às condutas do ESG (Ambiental, Social e Governança), o setor foca emquatro pilares principais: a transição para ener- gias renováveis nos edifícios, a redução da pegada de carbono, a adoção de materiais com menor impacto ambiental, a cres- cente importância de diretrizes e certificações de construção verde, como LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) e BREEAM (Building Research Establishment Environ- mental Assessment Method). O futuro do setor será definido pela integração de práticasmais responsáveis e tecnologia de ponta. As principais tendências apontam para: • Materiais de Baixo Carbono: maior uso de compósitos de base biológica, mate- riais reciclados e alternativas com menor emissão de CO₂. • Economia Circular: redução do consumo de recursos, reaproveitamento de resídu- os, uso de materiais duráveis e incentivo à reforma em vez da demolição. •Modularidade e Eficiência: sistemas pré- -fabricados que reduzem tempo de obra, desperdício e aumentam a precisão. • Tecnologia Integrada: aplicação de Big Data, IA, impressão 3D, sensores e drones em edifícios inteligentes. A química tem papel central nessa trans- formação. Aditivos e resinas de alta tec- nologia aumentam a durabilidade dos materiais e reduzem a necessidade de manutenção. Há ainda a substituição de produtos à base de solventes por soluções de base água, baixo VOC (Compostos Orgânicos Voláteis) ou livres de formaldeído, alémde alternativas isentas de estanho, APEOs (Etoxilados de Alquilfenol) e outras substâncias restritas. Entre as iniciativas mais importantes está a migração para tec- nologias livres de APEO, impulsionada por regulamentações e pelo foco na saúde humana e na preservação ambiental. Produ- tos inovadores, como dispersões acrílicas de alta resistência e estabilizadores UV, contribuempara aumentar a durabilidade e reduzir o impacto ambiental ao longo do ciclo de vida dos ma- teriais, além de diminuir manutenção e consumo de recursos. Talvez a inovação mais emblemática seja a capacidade de iniciar a cadeia produtiva já com um pé na sustentabilidade. Um dos avanços mais relevantes é o uso do BMB (Balanço de Biomassa), que substitui matérias-primas fósseis por recursos renováveis, resultando em produtos com menor pegada de carbono e o mesmo desempenho. Assim, adesivos, tintas, impermeabilizante e selantes já nascem alinhados a uma eco- nomia de baixo carbono. A transição para uma construção ambientalmente responsável é uma revolução que começa nos laboratórios de pesquisa e se reflete nos detalhes da composição de cada material. Ela demonstra que é possível avançar com ciência, inovação e estratégia, equilibrando desempenho, responsabilidade social e compromisso com o planeta.
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