Revista Paint & Pintura - Edição 312

ARTIGO 52 | PAINT&PINTURA | DEZEMBRO 2025 Washington Yamaga, da Rácz, Yamaga & Associates Francisco Rácz, da Rácz, Yamaga & Associates Por Francisco Rácz e Washington Yamaga, sócios- fundadores da Rácz, Yamaga & Associates A fusão entre dois grandes grupos globais do setor de tintas marca um novo capítulo em uma indústria que, embora tradi- cional, tempassado por transformações profundas emescala, tecnologia, sustentabilidade e dinamismo competitivo. O anúncio foi recebido como coerente sob a ótica estratégica - a união combina portfólios complementares, amplia presença geográfica, fortalece a capacidade de investimento e oferece sinergias operacionais importantes. Mas, observada sob um prisma histórico, a transação também responde a desafios estruturais que se acumularamao longo de duas décadas. Esse duplo significado é central para entender por que omovimento pode se tornar um ponto de inflexão no setor. AKZONOBEL + AXALTA: MOVIMENTO ESTRATÉGICO RELEVANTE 1. O CONTEXTO HISTÓRICO: CRESCIMENTO ABSOLUTO, PERDA RELATIVA A trajetória recente das duas empresas mostra como o setor evoluiu mais rapidamente do que muitos dos seus líderes. Em 2000, os dois grupos somados representavamcerca de 12,4% domercado global de tintas. Em 2024, mesmo após ampliarem suas receitas somadas para US$ 16,5 bilhões, essa participação caiu para 7,2%. Em termos absolutos, o crescimento foi significativo: quase 92% de aumento em vendas. Contudo, omercadomundial expandiu- -se ainda mais, saltando de US$ 70 bilhões para US$ 229 bilhões, uma alta de 227%, nesses 24 anos. (Vide figuras 1 e 2) Essa assimetria evidencia um fenômeno que tem se repetido ao longo das últimas décadas: grandes grupos cresceram, mas o setor cresceu em ritmo muito mais acelerado. Como resultado, players globais, apesar das fusões e aquisições, passaram a representar parcelas menores de um mercado que se diversifica, se fragmenta e avança em regiões dinâmicas, como Ásia e Oriente Médio, e em nichos de alto valor agregado. Além disso, concorrentes asiáticos vêm ganhando protagonismo por meio de aquisições bem integra- das, forte escala regional e inserção em mercados emergentes de rápido crescimento. Mantida a tendência, era plausível imaginar que alguns desses competidores ultrapassariam os grupos ocidentais tradicionais em escala global nos próximos anos. Essa possibilidade ajuda a explicar o timing da fusão. Também se observa o fortalecimento de empresas médias de maneira contínua e consistente. (Vide figura 3), a desconcentração histórica da indústria de tintas, apesar das fusões e aquisições. FIG. 1 FIG. 2

RkJQdWJsaXNoZXIy MTY1MzM=