Revista Paint & Pintura - Edição 313

RESINAS PU PAINT&PINTURA | JAN/FEV 2026 | 49 Impulsionado por um cenário em que sustentabilidade deixou de ser diferen- cial e passou a ser imperativo, omercado de resinas de poliuretano (PU) vive um momentode transformaçãoprofunda. A adoção crescente dematérias-primas re- nováveis, a consolidaçãodas tecnologias à base de água e o avanço das formula- ções de baixo ou zero VOC revelam um setor em plena maturação tecnológica, guiado tanto por demandas regulató- rias quanto por uma pressão global por soluções mais seguras e de menor impacto ambiental. Entre inovações que elevam desempenho e iniciativas que redesenham cadeias produtivas rumo à circularidade, fabricantes e especialistas convergem em uma mensagem clara: o futuro das tintas passa, inevitavelmente, por resinas PU mais limpas, eficientes e alinhadas aos princípios ESG - um cami- nho sem volta para toda a indústria. Aevoluçãodos desenvolvimentos emre- sinas depoliuretano (PU) temsidomarca- da por inovação e dinamismo, com forte focoemsustentabilidade. Osetor avança com o uso crescente de matérias-primas renováveis e formulações que reduzem a emissão de VOC, além da consolidação das tecnologias à base de água, que ofe- recemmenor impacto ambiental emaior segurança ao usuário, declara Angélica Mota, technical marketing specialist da Lubrizol. “Os avanços em desempenho, como resistência química, flexibilidade e durabilidade, permitem aplicações em diversos tipos de tintas e superfícies. So- luçõeshíbridas, quecombinamdiferentes polímeros, agregam ainda mais versatili- dade e eficiência às formulações.” No entanto, Angélica conta que o grande desafio do setor é tornar essas soluções sustentáveis comercialmente viáveis. “A busca por produtos base água, renováveis e de alto desempe- nho exige investimentos em pesquisa e inovação, mas também impõe o equilíbrio entre qualidade e competi- tividade de preços, fundamental para atender às expectativas do mercado sem comprometer margens. Assim, o compromisso com sustentabilidade caminha lado a lado com a necessida- de de oferecer soluções acessíveis e eficazes para o mercado de tintas.” A demanda por tintas e revestimentos mais sustentáveis não é mais uma tendência, e sim uma exigência de mercado. “A principal preocupação dos revestimentos à base de solvente é a alta emissão de Compostos Orgânicos Voláteis (COVs), que são poluentes at- mosféricos e prejudiciais à saúde. A sim- ples eliminação de grandes volumes de solventes inflamáveis e tóxicos melhora drasticamente as condições de trabalho na fábrica e no local de aplicação, o que é um fator ESG (Ambiental, Social e Gover- nança) crucial. As PUDs são excelentes alternativas, pois oferecem sistemas com baixo ou zero COV, atendendo às normas de qualidade do ar interno e reduzindo a pegada de carbono do produto final, e muitas vezes eliminam a necessidade de um segundo compo- nente. A Lamberti investe fortemente na substituição parcial ou total de polióis derivados de fontes petroquímicas por polióis de origem renovável que mante- nham o mesmo desempenho”, afirma Rafael Silva, coordenador de marketing técnico comercial da Lamberti. A sustentabilidade é o grande dife- rencial, com o desenvolvimento de produtos biorenováveis e biocirculares. “Apostamos na linha CQ, de soluções com conteúdo mínimo de 25% de maté- rias-primas alternativas, para a entrega de soluções de alta qualidade combaixa emissão, apoiando nossos clientes no atingimento de suas metas de sustenta- bilidade reduzindo, por exemplo, a pe- gada de carbono de produtos. Exemplos destes produtos foram apresentados recentemente no Abrafati Show 2025, como as linhas de isocianatos Desmo- dur CQ e resina Decovery. A primeira traz extrema versatilidade, excelente resistência química e alta durabilidade, possuindo aproximadamente 60% de matéria-prima biocircular atribuída via balanço de massa. Já a linha Decovery alia excelente performance a baixos níveis de VOC e redução na pegada de carbono, com até 52% de conteúdo bio- renovável”, destaca Ana Paula Cardoso, gerente técnica para desenvolvimento de pinturas Covestro Latam. Para Francisco Fava, diretor da Nokxel- ler, há cada vez mais interesse do uso desse tipo de resina em aplicações de tintas industriais e também em geral com as preocupações de protocolos ambientais SGA, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. “A pressão para baixar os níveis de VOC em tintas em todos os setores é cada vez maior e o caminho para substituir sistemas solventes por aquosos é um caminho sem volta. As vantagens em termos de propriedades físico-químicas inigualáveis das resinas PU em relação a outros tipos de resina as colocam em posição de destaque e consolidam seu avanço consistente. Acredito que o mercado continuará em expansão, mas a conversão completa ocorrerá gradualmente e com margem de adaptação técnica.” Fava ainda ressalta que a demanda por tintas sustentáveis transformou o desenvolvimento das resinas PU aquosas. “Não se trata apenas de ‘retirar o solvente’, mas de repensar matérias-primas, morfologia mono- mérica, uso de bio-polióis, sistemas de cura e provas e certificações de sustentabilidade. Muitas inovações já estão em fase comercial/industrial, como os sistemas PUD 2K aquosos já são amplamente usados e a tendência é expandir ainda mais nesse sentido.” Ana Paula Cardoso, gerente técnica para desenvolvimento de pinturas Covestro Latam

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