Revista Paint & Pintura - Edição 313

RESINAS PU 50 | PAINT&PINTURA | JAN/FEV 2026 PERSPECTIVAS E DESAFIOS O mercado brasileiro de tintas indus- triais, repintura e arquitetônicas tem demonstrado crescimento nos últimos anos, impulsionado por fatores como investimentos em infraestrutura. “En- quanto o ano de 2024 trouxe uma melhora importante para os negócios, 2025 vem seguindo no mesmo cami- nho, embora ainda tenhamos fatores externos prejudiciais, como as tarifas internacionais, taxa de câmbio e o cenário de confrontos internacionais. Já o ano de 2026 será marcado pelas eleições, o que sempre afeta inves- timentos locais e o crescimento das indústrias em geral. Além dos fatores externos, como a taxa de câmbio e o cenário político-econômico, o grande desafio deste e dos últimos anos é a alta competitividade em um mercado estável, sem tendência momentânea de crescimento. Também vemos a falta de normatizações específicas quanto à produtos de baixo VOC ou de baixa porcentagem de monômeros livres na América Latina como umobstáculo, pois prejudica a troca de produtos maduros por poliuretanos de alto desempenho”, alerta Ana Paula, da Covestro. Lideradas pela pressão por sustentabili- dade e pelas suas características de de- sempenho superior (comparativamente a acrílicos estirenados ou epóxis base água, inclusive os bicomponentes), as perspectivas do mercado de resinas PU são altamente positivas, segundo Silva, da Lamberti. “O rigor das regulamenta- ções ocupacionais e ambientais, como os referentes à qualidade do ar interno e às emissões de COVs, está forçando a substituição de sistemas à base de sol- vente por soluções com baixo ou zero COV (Compostos Orgânicos Voláteis). As PUDs são a resposta direta a essa demanda, sendo a alternativa de alto desempenhomais ecológica para a cons- trução civil, o setor de pisos demadeiras e moveleiros, e o segmento industrial.” Silva ainda acrescenta que os principais desafios enfrentados pelos fabricantes de Resinas PU são as regulamentações em constante mudança. “Manter-se em conformidade com as diversas re- gulamentações (como COV, REACH na Europa, TSCA nos EUA) e outras normas locais de segurança emeio ambiente exi- geummonitoramentocontínuoe,muitas vezes, reformulações caras edemoradas. Outro ponto crítico é a volatilidade dos preços dos insumos-chave para o PU: isocianatos e a maior parte dos polióis. Eles são commodities petroquímicas e, portanto, suscetíveis à volatilidadeglobal dos preços do petróleo, a choques geo- políticos eamudanças na taxade câmbio. A dificuldade reside em gerenciar essa flutuação de custos e repassá-los sem perder competitividade.” Por sua vez, Angelita Saul, technical marketing manager da Lubrizol, prevê que as perspectivas para o mercado de resinas de poliuretano (PU) destinadas ao setor de tintas, nos próximos cinco anos, são bastante promissoras. “Ocres- cimento projetado está sendo impulsio- nado por uma combinação de fatores, entre eles, o aumento da demanda por soluções sustentáveis, que conciliam alto desempenho técnico com menor impacto ambiental. Destacam-se, nesse e de longa durabilidade. Além disso, a busca por tintas que ofereçam maior resistência e qualidade de acabamento deve continuar estimulando a inovação e os investimentos em pesquisa e de- senvolvimento, consolidando as resinas PU como protagonistas no setor nos próximos anos.” Angelita também alerta sobre os princi- pais desafios enfrentados pelos fabrican- tes de resinas PU em 2025. “Destaca-se a necessidade de atender simultanea- mente às exigências regulatórias cada vez mais rigorosas em diferentes re- giões do mundo, sem comprometer o desempenho dos produtos. Alémdisso, há uma pressão constante por inovação que permita equilibrar sustentabilidade e performance, especialmente em apli- cações que tradicionalmentedependiam de sistemas à base de solvente. Outro ponto crítico é a complexidade técnica envolvida no desenvolvimento de for- mulações com alto teor de sólidos ou propriedades de auto-reticulação, que exigem estabilidade, compatibilidade e facilidade de aplicação. A competitivida- de domercado também impõe desafios relacionados a custo, diferenciação e velocidade de desenvolvimento.” Na visão de Fava, da Nokxeller, a produção de PUD (poliuretanos em base aquosa) envolve matérias-primas especializadas e processos complexos, que não estão presentes em resinas sol- ventes já consolidadas. “Isso dificulta a competitividade em alguns segmentos de mercados mais sensíveis a preço. Para os usuários, a fabricação de siste- mas aquosos passa pela combinação de PUD e acrílicas, o que tem vários desa- fios em termos de maiores exigências de formulação, compatibilidade com pigmentos e aditivos, e mudança nos processos de aplicação.” EVOLUÇÃO NOS DESENVOLVIMENTOS A Covestro vem estado à frente dos novos desenvolvimentos devido à sua expertise e expansão de seu portfólio em coatings e adesivos, como a aquisi- Rafael Silva, coordenador de marketing técnico comercial da Lamberti cenário, os avanços em tecnologias de resinas à base de água e o desenvolvi- mento de formulações com baixa emis- são de compostos orgânicos voláteis (VOC), respondendo às regulamenta- ções ambientais cada vezmais rigorosas e à preferência dos consumidores por produtos ecologicamente responsáveis

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