Revista Paint & Pintura - Edição 313
ARTIGO 70 | PAINT&PINTURA | JAN/FEV 2026 A COMUNICAÇÃO COMO PILAR DA INOVAÇÃO Inovar nunca foi apenas criar algo novo. É criar algo que faça sentido, para o clien- te, para o mercado e para o propósito da empresa. Na indústria química, especialmente em tintas, revestimentos, resinas e aditivos, inovar é umprocessomultidimensional. Exige conhecimento técnico, alinhamen- to regulatório, viabilidade econômica e, sobretudo, comunicação estratégica. Sem comunicação, a melhor tecnologia se perde no ruído do mercado. Sem narrativa, a inovação não é percebida como inovação. Semclareza, o valor não sematerializa. A comunicação, portanto, não é a etapa final da inovação, ela é o fio condutor de todo o processo. OS 7 P’S DA INOVAÇÃO: O PAPEL DA COMUNICAÇÃO NA JORNADA DE DESENVOLVIMENTO E LANÇAMENTO DE PRODUTOS Por Wiliam Saraiva, diretor da W2S Consultoria DO PRODUTO À EXPERIÊNCIA: OS 7P’S DA INOVAÇÃO Oconceitodos 7P’s doMarketingnasceu da ampliação do modelo clássico dos 4P’s, desenvolvido por Jerome McCar- thy em 1960, Produto, Preço, Praça e Promoção, que estruturava omarketing como um conjunto coordenado de de- cisões estratégicas voltadas à oferta de bens de consumo. Em1981, BernardBooms eMary JoBitner expandiramessemodelo para o setor de serviços, acrescentando três novos ele- mentos: Pessoas, Processos e Evidência Física (ouAmbienteFísico). Essaevolução reconhecia que a percepção de valor vai alémdo produto em si, incluindo a expe- riência, o atendimento e o ambiente em que a marca se manifesta. Embora não tenha sido o criador domo- delo, Philip Kotler foi o grande respon- sável por consolidá-lo e popularizá-lo, traduzindo-o em uma linguagem estra- tégica que conectou comportamento, propósito e posicionamento. Na prática, Kotler manteve o foco em cinco dimensões principais, Produto, Preço, Praça, Promoção e Pessoas, por considerar que esses elementos já representavam o núcleo decisório mais relevante para a maioria das empresas. Os outros dois “P’s” (Processos e Evi- dência Física) eram tratados por ele como subconjuntos da experiência de entrega, ou seja, como variáveis operacionais do serviço, e não neces- sariamente como pilares estratégicos independentes. No entanto, à medida que as fronteiras entre produto, serviço e experiência se tornarammais difusas, especialmente na era digital, nas indústrias criativas e na economia da sustentabilidade, o olhar contemporâneo passou a ressignificar os 7P’s. Hoje, processos e ambiente físico voltam a ocupar papel central, pois representam o elo visível entre a promessa da marca e a vivência real do cliente. Em setores como o químico, por exem- plo, o laboratório de aplicação, o padrão de embalagem, o suporte técnico e a coerência entre comunicação e prática são tão importantes quanto o desem- penho do produto. Assim, o marketing moderno e, por extensão, a inovação, deixa de ser apenas um exercício de oferta e passa a ser um sistema circular, em que cada “P” alimenta o outro. É um diálogo contínuo entre produto, propósito e percepção, que exige co- municação estratégica para transformar ciência em significado e tecnologia em valor percebido. Os 7P’s da Inovação, portanto, não são apenas uma ferramenta de marketing, mas um mapa para o posicionamento sustentável e comunicativo das orga- nizações do futuro, onde produto, pes- soas e processos se alinham para gerar impacto real. 1. PRODUTO - O PRODUTO COMO NARRATIVA DE VALOR Na W2S costumamos dizer: “Todo produto inovador precisa contar uma história.” Mais do que um conjunto de especifica-
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