Revista Paint & Pintura - Edição 314

EMULSÕES PAINT&PINTURA | MARÇO 2026 | 25 Em meio a um cenário de transição tecnológica e pressão crescente por desempenho aliado à sustentabilidade, o mercado de emulsões para tintas vive um momento decisivo. Consolidada como rota dominante, a tecnologia base água avança não apenas pela substituição consistente dos sistemas solventes, mas pela capacidade de incorporar inovação química, funcio- nalidade e menor impacto ambiental em um mesmo produto. No segmento arquitetônico - ainda o grande vetor de volume - e nas aplicações industriais, a nova geração de emulsões redefine padrões de durabilidade, aderência, resistência e versatilidade, atendendo a um formulador cada vez mais orientado por valor agregado, conformidade re- gulatória e diferenciação técnica. Mais do que acompanhar tendências, os de- senvolvimentos recentes empolímeros, monômeros funcionais e surfactantes renováveis revelam uma indústria que aposta na engenharia molecular como estratégia para sustentar competitivi- dade e crescimento em um mercado maduro, porém altamente dinâmico. Na visão de Leandro Lemos Alves, gerente de desenvolvimento de novos negócios da Syensqo, o cenário atual do mercado de emulsões é marcado pela consolidação da tecnologia base água como rota dominante, tanto em tintas arquitetônicas quanto emdiversas aplicações industriais. “No Brasil e na América Latina, o segmento arquitetô- nico continua sendo o principal motor de volume, impulsionado sobretudo por manutenção e reformas. Não há, porém, um crescimento relevante de volume associado, especificamente a tintas de maior durabilidade ou desempenho. O que se observa é um interesse maior dos fabricantes em desenvolver pro- dutos de maior valor agregado e maior ticket, que demandam soluções de emulsão mais sofisticadas do ponto de vista técnico. No segmento industrial, o avanço das emulsões base água ocorre de forma seletiva, especialmente em metal, madeira e manutenção leve, à medida que essas soluções conseguem atender às exigências técnicas tradicio- nais e oferecer custos razoáveis. Tec- nologias como monômeros funcionais, por exemplo, o Sipomer MAC, contri- buem para viabilizar esse movimento, ao elevar aderência e robustez do filme em sistemas base água.” O mercado de emulsões base água está em fase de amadurecimento tecnoló- gico, com expansão das aplicações e substituição consistente dos sistemas base solvente. No segmento arquite- tônico, destaca-se o crescimento em revestimentos de alto desempenho, especialmente para impermeabilização, fachadas e sistemas elastoméricos normatizados. “Esse avanço é impulsio- nado pelo aumento das exigências dos consumidores em relação à durabilida- de, flexibilidade e menor necessidade de manutenção. A evolução da norma NBR 13321, que classifica membranas acrílicas conforme a aplicação, acelerou a demanda por resinas com performan- ce definida, favorecendo elastoméricos capazes de oferecer ponte de fissuras, baixa absorção de água e maior resis- tência ao intemperismo”, informa An- gelita Saul, Latam technical marketing manager da Lubrizol. No setor industrial, há expansão das resinas base água para esmaltes DTM (direct-to-metal), motivada pela busca de menor impacto ambiental, redução de odores e maior facilidade de aplica- ção, acrescenta Angelita. “Os fabrican- tes buscam resinas com aderência em diferentes substratos, resistência quími- ca e anticorrosiva, mesmo em sistemas de baixa espessura. Também cresce a demanda por soluções para madeira e pisos, onde tecnologias de poliuretano em dispersão (PUDs) e híbridos acrílico- -PU têm substituído sistemas solventes, oferecendo ganhos em resistência me- cânica, química e transparência.” Cassio Gomi, químico de aplicação da Wacker, anuncia que o mercado de emulsões é bem desafiador, mas em retomada, após um período marcado por oscilações de demanda. “A indústria tem investido emP&Dpara acompanhar tendências de maior performance e sustentabilidade. Os segmentos que mais crescem são os de tintas premium, especialmente aplicações que exigem resistência à lavagem, durabilidade e versatilidade de formulação. Também há grande avanço em produtos com baixas emissões de VOC e baixo odor, impulsionados pela demanda por solu- çõesmais sustentáveis e adequadas para ambientes internos. Emulsões VAE (Ace- tato de Vinila-Etileno), como Vinnapas, possuem destaque nesse cenário, pois não demandamo uso de coalescentes.” Na opinião de LuisMerino, CEOda Dyna- tech, basicamente, o principal indicador Claudine Azevedo de Sá Leitão, gerente comercial - BU Construção Civil da AVCO Chemicals Camilo Alvarado Marin, do marketing de Dispersões, Resinas e Aditivos da BASF para a América do Sul

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