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Braskem tem queda nas vendas no 3º trimestre e avalia mudança de matéria-prima

19/11/2025 - 11:11

A petroquímica brasileira Braskem enfrentou um turbulento terceiro trimestre de 2025, marcado por desafios operacionais, incertezas estratégicas e esforços para reposicionar sua estratégia de matérias-primas.

Enquanto isso, a empresa navega por uma possível reestruturação e venda, ao mesmo tempo em que gerencia os impactos do fechamento das operações de cloro-álcalis em Alagoas e das baixas taxas de utilização em seus ativos produtivos.

A Braskem concluiu estudos técnicos sobre o uso de derivados de gás liquefeito de petróleo (GLP) - especificamente propano e etano - provenientes da formação de xisto Vaca Muerta, na Argentina, como matéria-prima, informou a companhia durante a teleconferência de resultados do terceiro trimestre. Dados preliminares indicam uma possível redução de custo de US$110/t em comparação à nafta petroquímica, atualmente utilizada em várias unidades da Braskem. A empresa já utiliza propano de Vaca Muerta na planta da Copesul, em Triunfo (RS), onde testes estão em andamento para avaliar a viabilidade de longo prazo.

A escolha da matéria-prima dependerá de preços e logística, com outras matérias-primas argentinas também sendo avaliadas, disse o presidente Roberto Ramos.

O fechamento da planta de cloro-álcalis da Braskem em Alagoas, entre setembro e outubro, resultou em demissões e aumentou a pressão sobre as operações de vinílicos. Para estabilizar esse segmento, a Braskem anunciou um acordo estratégico com a norte-americana Olin para fornecimento de dicloreto de etileno (EDC). O acordo apoia a reestruturação dos ativos de cloro-álcalis e vinílicos no Brasil. Embora os volumes não tenham sido divulgados, a empresa espera que a parceria aumente a competitividade e a sustentabilidade das operações de PVC. A Olin foi escolhida por sua produção eficiente de EDC, baseada em etano de gás de xisto dos EUA, e por sua logística favorável. Ramos citou esses fatores como decisivos para formalizar o acordo.

As taxas médias de utilização nos complexos petroquímicos da Braskem caíram para 65% no trimestre, uma redução de 9 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior e de 8 pontos em relação ao ano passado. A queda foi impulsionada por manutenção programada no complexo do Rio de Janeiro e por uma redução estratégica na produção à base de nafta diante da demanda fraca. O tempo ocioso operacional custa à empresa cerca de US$60 milhões por trimestre, estimou a diretora de relações institucionais Rosana Avolio.

Queda nas vendas de PE da Braskem Idesa

No México, as vendas de PE pela joint venture Braskem Idesa caíram 30% ano a ano, para 146 mil t, principalmente por menor disponibilidade de produto, enquanto os spreads no mercado internacional permaneceram estáveis.

A taxa de utilização da planta da Braskem Idesa caiu para 47%, uma redução de 27 pontos percentuais em relação ao ano anterior, devido à parada programada para manutenção e à redução no fornecimento de etano pela estatal mexicana Pemex, que caiu para 11.300 b/d ante 28.900 b/d no ano anterior.

O novo terminal de etano da empresa, o Terminal Química Puerto México (TQPM), começou a fornecer etano para a Braskem Idesa. O TQPM, ainda em fase de comissionamento, recebeu aproximadamente 11.300 b/d.

Com o fornecimento de etano pelo TQPM, a planta da Braskem Idesa agora opera acima da capacidade nominal, o que deve apoiar o crescimento do Ebitda nos próximos trimestres, disse Ramos.

Vendas e preços de resinas em queda

As vendas de resinas da Braskem no Brasil caíram 9%, para 787 mil t no terceiro trimestre em relação ao ano anterior, com volumes também menores nos EUA, Europa e México.

As referências internacionais de preços de resinas no período foram mais baixas, impactando a rentabilidade das vendas domésticas, informou a Braskem em seu relatório preliminar de produção e vendas do terceiro trimestre.

A empresa registrou prejuízo de R$26 milhões (US$4,9 milhões) no trimestre, reduzindo-se frente à perda de R$592 milhões no terceiro trimestre de 2025 e de R$267 milhões no segundo trimestre deste ano.

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