O cearense Josafá Rebouças conquista o 1º lugar no prêmio da Confederação Nacional da Indústria com projeto que transforma aromas em cores para pessoas cegas. Iniciativa une inovação e inclusão ao ampliar o acesso à arte e à educação por meio dos sentidos
O pesquisador cearense Josafá Rebouças conquistou o primeiro lugar no 9º Prêmio Nacional de Inovação, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), consolidando-se como um dos principais nomes da inovação com impacto social no país. A premiação, que reconhece iniciativas transformadoras no setor produtivo, destacou Rebouças na categoria Pesquisador Empreendedor - Médias Empresas, pelo projeto “Dr. Cor”.
A iniciativa chama atenção pela sensibilidade e originalidade: por meio da associação entre aromas e cores, o projeto permite que pessoas com deficiência visual identifiquem tonalidades utilizando o olfato. A proposta amplia significativamente o acesso à educação, à arte e a experiências sensoriais, promovendo inclusão de forma prática e inovadora.
Mais do que uma solução tecnológica, o “Dr. Cor” nasce de um contexto familiar e afetivo, transformando inspiração pessoal em impacto coletivo. A ferramenta também dialoga com educadores e instituições que buscam metodologias inclusivas, reforçando o papel da inovação como ponte para a equidade.
Em seu discurso, Josafá Rebouças destacou a origem e o propósito do projeto, mantendo o tom emocional que marca sua trajetória. “Eu sou o Dr. Cor, e esse é o Lou (em referência ao boneco), uma criança cega que tinha um desejo de ser artista. E nós ensinamos o Lou a aprender as cores através dos aromas. Cheirinho de morango, cheirinho de maracujá, cheirinho de hortelã, mas isso nasceu de uma ideia brilhante da minha esposa, Arine, meu filho Arthur e Romeu, que foram a inspiração para o projeto. Agradeço a IBEL, a indústria IBEL, que apoiou incondicionalmente na pessoa do Romulo Araruna, a Federação da Indústria do Estado de Ceará. E o Lou (boneco) representa a educação inclusiva, porque queremos que todos sintam, com o nariz, o que o coração sempre quis”.
O reconhecimento nacional reafirma não apenas o mérito técnico do projeto, mas sua potência transformadora. Em um cenário em que a inovação frequentemente se concentra em eficiência e produtividade, iniciativas como o “Dr. Cor” lembram que o verdadeiro avanço também se mede pela capacidade de incluir, sensibilizar e ampliar horizontes humanos.




