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Tinta bem formulada ajuda a reduzir desperdícios na indústria

30/04/2026 - 16:04

Equilíbrio entre elementos traz previsibilidade ao processo industrial e diminui desperdício de insumos

A impressão por flexografia é parte central no processo de fabricação de embalagens e rótulos flexíveis, uma vez que ela dá vida à identidade de produtos que consumimos diariamente, como alimentos, itens de higiene, cuidado pessoal etc. É um mercado tão presente no dia a dia populacional que, segundo o relatório The Future of Package Printing to 2029, movimentou cerca de US$ 517,9 bilhões em 2024.

No contexto da impressão de embalagens em alta escala, um fator imprescindível para manter a qualidade da impressão de embalagens acaba ficando em um ponto pouco visível para quem enxerga de fora: a formulação da tinta. Em um setor em que produtividade e padronização caminham junto com a necessidade de reduzir perdas e atender a alta demanda do mercado, a formulação de tintas para flexografia tem impacto que vai além da estética da cor.

“A cor da tinta estampada em uma embalagem chama atenção, mas o que garante que ela se mantenha controlada ao longo da tiragem e se mantenha estável na gôndola do mercado é o conjunto de elementos e processos. É aí que a formulação bem equilibrada vira desempenho de indústria”, explica o responsável pelo laboratório de P&D de solventes da Cyan, Vitor Preuss.

O que muda na prática?

Uma tinta bem formulada tende a rodar com menos necessidade de intervenções, reduzindo paradas para corrigir comportamento do produto e diminuindo retrabalhos. Essa lógica se conecta ao debate global de que eficiência industrial caminha ao lado da sustentabilidade. Menos retrabalho costuma significar menos substrato descartado, menor quantidade de insumos consumidos e menos resíduo gerado ao longo do processo de impressão.

Conceitualmente, tintas para flexografia são formadas por quatro elementos, cada um com papel próprio e complementar: pigmento, que entrega cor; resinas, que estruturam a tinta, ancoram os pigmentos e sustentam a aplicabilidade; aditivos, que refinam o desempenho, ajustam propriedades e dão resistência; e solventes, que funcionam como veículo, mantêm os componentes unidos, ajustam a viscosidade e influenciam na secagem.

Na Cyan, indústria localizada em Cocal do Sul (SC), o ciclo industrial de fabricação de tintas é dividido em três etapas. Durante a formulação, é feita a dosagem conforme a ordem de produção e homogeneização de matérias-primas em um dispersor. Durante o Controle de qualidade, os profissionais realizam a comparação do produto com o padrão desenvolvido no P&D de acordo com os requisitos de cada cliente; se houver desvio nesse padrão, são feitos ajustes finos para retorno à especificação. Após a liberação, a tinta é envasada e passa por filtração para evitar partículas indesejadas no produto.

“Algumas indústrias adquirem tintas mais baratas pensando somente na cor. Desmistificar a tinta é mostrar que ela não é formulada por um só ingrediente e que sua qualidade deve ser analisada com atenção a outros aspectos além da cor. A tinta flexográfica é uma engenharia de equilíbrio. E equilíbrio, no setor industrial, é o caminho mais curto entre qualidade, produtividade e menos desperdício”, completa Vitor.

De acordo com Preuss, pensar na tinta como um fator que agrega qualidade à embalagem de um produto se conecta a um debate ainda maior do setor: eficiência industrial está diretamente ligada ao impacto ambiental. Menos paradas e retrabalhos costumam significar menos substrato descartado, menos consumo de insumos e menos resíduo gerado ao longo do processo de impressão.

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