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Grupo BASF registra vendas ligeiramente menores no segundo trimestre

06/08/2019 - 17:08

O cenário macroeconômico tornou-se um desafio para a BASF no segundo trimestre de 2019. “Hoje em dia a incerteza é alta, a visibilidade baixa e a previsibilidade precária”, disse Martin Brudermüller, presidente da Junta Diretiva da BASF SE, durante uma conferência telefônica. "Nossos resultados do segundo trimestre mostram exatamente isto."

Comparado ao segundo trimestre do ano anterior, as vendas diminuíram 4%, atingindo €15,2 bilhões. Os preços caíram 2%, principalmente devido aos negócios de isocianatos e produtos do cracker. O volume de vendas caiu 6%. Todos os segmentos registraram volumes menores, exceto Nutrição e Cuidados Pessoais. O declínio foi mais expressivo nos segmentos de Químicos e Soluções para Agricultura. As razões para isso foram as paradas programadas da steam cracker em Antuérpia, na Bélgica, e em Port Arthur, no Texas, bem como as condições climáticas desfavoráveis na América do Norte, que afetaram o segmento de Soluções para Agricultura. Os efeitos do portfólio foram responsáveis por mais 2% graças às sementes e aos negócios não seletivos de herbicidas adquiridos da Bayer. Os efeitos cambiais atingiram mais 2%.

O EBITDA antes de itens especiais diminuiu 27% para € 2 bilhões. O EBIT antes de itens especiais ficou em € 1 bilhão, 47% menor do que no período do ano anterior.

Os conflitos comerciais globais, principalmente entre os Estados Unidos e a China, são uma séria preocupação para a empresa. “Seguimos a avaliação geral de que um acordo seria alcançado no meio do ano. Mas agora, parece que a situação não vai melhorar por algum tempo”, comentou Brudermüller. A BASF já publicou seus principais números em um comunicado pontual em 8 de julho.

A perspectiva da empresa para 2019, apresentada em fevereiro deste ano, foi baseada em certas premissas macroeconômicas e geopolíticas. "Infelizmente, muitas delas não se materializaram e, portanto, tivemos que diminuir nossa perspectiva", disse Brudermüller. Ele ainda comentou que a perspectiva ajustada não mudaria a política progressiva de dividendos da BASF: "queremos aumentar nosso dividendo por ação a cada ano".

Implementação de nova estratégia com rapidez e determinação

A nova estratégia fez com que a BASF definisse várias medidas visando maior foco no cliente e eficiência, além de uma organização mais eficaz da empresa. "Apesar dos desafios, iremos implementar nossas iniciativas de crescimento estratégico de forma rápida, cuidadosa e precisa", disse Brudermüller.

A BASF está atualmente reformulando sua organização, simplificando a administração, aprimorando as funções das unidades de serviços e regiões e simplificando procedimentos e processos. Nos últimos meses, partes significativas dos serviços funcionais foram incorporados às unidades de negócios. A partir do final de julho, 15.000 colaboradores estarão mais próximos dos clientes e até outubro teremos muitos outros. Além disso, a empresa estabeleceu um centro corporativo enxuto com menos de 1.000 colaboradores, que apoiará o Conselho Diretivo na administração do Grupo BASF. Este centro corporativo é responsável por menos de 1% da força de trabalho total. As atividades de serviço restantes serão atribuídas a quatro unidades de serviço multifuncionais. Inicialmente, eles compreenderão aproximadamente 29.000 funcionários.

Essas medidas fazem parte do programa de excelência da BASF. As estruturas mais enxutas e os processos simplificados devem resultar em uma economia de cerca de 300 milhões de euros por ano. “Prevemos uma contribuição considerável advinda das medidas de excelência operacional em produção, logística e planejamento. A digitalização e a automação também desempenharão um papel importante. No geral, esperamos uma contribuição do EBITDA de € 2 bilhões anualmente a partir do final de 2021”, disse Brudermüller.

Como anunciado anteriormente, a BASF planeja reduzir em torno de 6.000 cargos em todo o mundo, até o final de 2021. Tal medida será o resultado da simplificação organizacional e dos ganhos de eficiência em termos de administração, serviços e unidades de negócios. Além disso, as estruturas centrais estão sendo simplificadas no contexto das mudanças de portfólio anunciadas nos negócios de químicos para construção e pigmentos.

Brudermüller forneceu uma atualização sobre o programa de desligamento: “Na BASF SE em Ludwigshafen, mais de 1.100 colaboradores aceitaram nossa oferta e assinaram acordos de rescisão no primeiro semestre do ano”.

Primeiro semestre com crescimento abaixo das expectativas nos setores de atuação dos clientes da BASF

Analisando o passado, o crescimento no primeiro semestre do ano nos setores de clientes da BASF ficou substancialmente abaixo das expectativas. O crescimento da produção industrial desacelerou consideravelmente em todo o mundo. Tomemos o exemplo da produção automotiva: a previsão geral original para 2019 era de um acréscimo de 0,8%, entretanto houve um decréscimo mundial de 6% no primeiro semestre. Na China, houve uma queda de 13%. Comparado ao mesmo período do ano anterior, a produção de químicos diminuiu 0,5% no mercado doméstico da BASF na Europa. A retração na Alemanha foi bem expressiva, registrando um decréscimo de 3,5%.

O setor agrícola sofreu com o período prolongado de fortes chuvas nas principais regiões produtoras da América do Norte. Brudermüller: “As inundações e condições extremas literalmente induziram as más condições para o nosso negócio de Soluções para Agricultura”.

Segmentos de Químicos e Materiais impactaram os lucros do segundo trimestre

O Dr. Hans-Ulrich Engel, CFO da BASF SE, comentou sobre os números do segundo trimestre. Como em todo o primeiro semestre de 2019, os lucros no segundo trimestre de 2019 foram impactados negativamente pelas menores margens e volumes nos segmentos de Químicos e Materiais. "No total, os dois segmentos representaram 83% do declínio geral dos lucros no segundo trimestre de 2019", disse Engel.

Os lucros no segmento de Soluções para Agricultura também diminuíram expressivamente, fruto dos ganhos sazonais negativos dos negócios adquiridos e dos menores volumes no negócio de proteção de cultivos. Ganhos significativamente maiores em Soluções Industriais e ganhos ligeiramente maiores nos segmentos de Tecnologias de Superfície e Nutrição e Cuidados só poderiam compensar parcialmente o declínio.

Os itens extraordinários no EBIT totalizaram € 497 milhões, comparados ao decréscimo de € 66 milhões no segundo trimestre de 2018. O aumento dos itens extraordinários deveu-se, em parte, aos custos pontuais do programa de excelência. Além disso, houve um enfraquecimento do investimento baseado em gás natural na Costa do Golfo dos EUA, no qual a BASF não tem mais envolvimento. A integração dos negócios e ativos adquiridos da Bayer também resultou em itens extraordinários no segmento de Soluções para a Agricultura. O EBIT diminuiu de € 1,9 bilhão no período do ano anterior para € 548 milhões no segundo trimestre de 2019.

O lucro líquido totalizou € 6,5 bilhões, comparado com € 1,5 bilhão no segundo trimestre de 2018. O lucro reportado por ação aumentou de €1,61 para €7,03 no segundo trimestre de 2019 devido ao ganho contábil originado da desconsolidação da Wintershall, após a conclusão da fusão da Wintershall e da DEA. Os ganhos ajustados por ação foram de € 0,82 comparados à €1,77 no trimestre do ano anterior.

Os fluxos de caixa advindos das atividades operacionais foi de € 1,9 bilhão, comparado com € 2,2 bilhões no segundo trimestre de 2018. O fluxo de caixa livre diminuiu em 31%, indo para € 965 milhões.

Novas premissas macroeconômicas das perspectivas para 2019

"Os riscos econômicos globais aumentaram significativamente nos últimos meses", disse Brudermüller. “Tal cenário tem sido construído pelos acontecimentos geopolíticos e pelos conflitos comerciais em curso entre os Estados Unidos e seus parceiros comerciais. Estes conflitos não serão resolvidos no futuro próximo e estão causando uma desaceleração perceptível no crescimento macroeconômico em todo o mundo, principalmente na China.”

A BASF diminuiu substancialmente suas expectativas de crescimento em 2019 para a produção industrial global e para a produção global de químicos - de 2,7% para cerca de 1,5% em ambos os casos. “O setor automotivo - um importante setor de clientes para a BASF - não irá se recuperar neste ano. Agora esperamos uma queda global de menos 4,5% para o ano inteiro”, afirmou Brudermüller. “Os clientes de todas as indústrias estão muito cautelosos com projeções e pedidos. Nossa visibilidade em termos de desenvolvimento de demanda também está muito baixa”.

Perspectiva do Grupo BASF ajustada para 2019

Tendo em vista o cenário macroeconômico desafiador, as perspectivas de 2019 para o Grupo BASF foram ajustadas em 8 de julho: a BASF agora prevê um ligeiro declínio nas vendas. Para o EBIT antes dos itens extraordinários, a empresa espera um declínio considerável de até 30%. O retorno sobre o capital empregado (ROCE) para o ano todo de 2019 deverá cair consideravelmente em comparação ao ano anterior.

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